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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Inebria-me

Sinto-me cheia de inspiração calada, afogada em devaneios líricos e cores primaveris. 
O sol ameaça se pôr, e o vento caminha por entre meu corpo; um campo extenso, verde, vivo...
É bom sentir-se querida, livre, completa. A luz não é suficiente para machucar, então
encaro o olho do sol, como se nada pudesse me parar, me cegar, me abater. 
A brisa leve que me acarinha traz consigo uma melodia doce, suave... 
Flores ao pôr-do-sol.
Respiro fundo as notas que condescendem o brio da noite,
e embalo-me em canções de ninar.
- O momento perfeito -.


- Rita Marcelino

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tudo que quis

Cansei de procurar a saída, cansei de procurar a solução, o alguém ou algo que me deixasse melhor. E foi no ato de não procurar que achei. É simples, deixe-me explicar.
Eu me neguei a acreditar, chorei mais do que deveria, senti mais do que deveria, ou menos, ainda não sei. Reconfortei-me nos ombros dos amigos mais do que deveria, porém menos do que se esperava. Telefonei mais do que deveria, mais do que esperava, mais do que queria. Procurei do lado de fora qualquer algo ou alguém que se mostrasse com a promessa de me fazer sorrir. Não me culpe, veja bem, apenas escolhi o mais cômodo, mais fácil. De certa forma, claro. Concentrei-me na faculdade mais do que esperava, menos do que deveria, agora eu sei. Fui para festas assim como previa, do jeito que deveria, quando eu queria. Ficava triste quando ninguém aparecia com a solução exata, na medida certa, da forma precisa para mim. Não falo fisicamente.
Não me olhe torto, escute só, o ser humano é assim, isso eu aprendi. Talvez em diferentes intensidades, mas sempre assim. Esperamos que os outros supram alguma necessidade nossa, alguma expectativa que geramos sobre eles. Não é algo particularmente ruim, entenda bem, é imanente ao homem. “Ele vai me ligar”, “Ela espera que eu ligue”, “Ela tem que concordar comigo”, “Ele espera que eu concorde”. E de certa forma, quando essas expectativas sobre os outros e sobre nós mesmos se contradizem com o real, é uma ótima aula. Talvez não tão legal ou divertida, mas não importa. O que é melhor arde. Sempre pensarei assim.
Ok, eu sei que ainda não cheguei ao ponto central, mas estou indo lá. Todos os dias eu me permitia ficar triste, chorar, perguntar a mim mesma o porquê das coisas serem tão complicadas e difíceis de lidar. Too much drama, eu sei, mas eu me sentia assim, dramática. Os mais próximos costumavam falar: “Se ergue, menina. Você é linda, inteligente, tem tanta gente que te ama por perto, pra quê se deixar levar?” Mas eu entendo agora. Se permitir ficar triste, às vezes, é bom. Não por tempo demais. Porque os dias foram passando e terminei por não sentir mais vontade de chorar. Eu comecei a me espalhar pela noite e consegui ver que sempre senti saudade de mim. Aquela menina que não se escondia das expectativas, que não procurava alcançá-las, porque, afinal, eu não queria impressionar ninguém. E fiz o contrário. Bom, vamos colocar desse jeito: Ou alguém te ama de verdade e te aceita, ou não te ama e te encarcera na tentativa de mudança do seu Eu. E por perceber que não precisava agradar ninguém, exceto a mim, me libertei. E então foi aí que eu vi e senti ter tudo que eu possa querer, bem forte, bem sadio, bem próximo, aqui perto, aqui dentro. E sabe o que eu fiz? Gritei, é, gritei.
- O infinito sou eu!
E impressionei a mim mesma.


(O que é melhor, né?)

domingo, 28 de novembro de 2010

Sim

E não é que ame de menos, chore de menos, grite de menos. É só a propensão de o infinito me acalmar. Nada mais. Quando se passa por momentos sofridos, não importa o tempo, alguma hora, tão boba como qualquer outra, a gente se sente leve, liberta, quem sabe até em paz. E não é por falta de carinho, de saudade, de afeto. Estes ainda transbordam cá dentro, mas começam a fazer efeito os minutos silenciosos olhando para nós mesmos, as pequenas decisões que não tínhamos coragem de tomar, e os sorrisos que nos esquecíamos de distribuir. E não é mentira dizer que a angústia uma hora vai bater, vai sufocar e por um segundo as lágrimas tenderão a descer, mas a diferença vai nascer nas memórias que não são tristes, não estão em preto e branco e não foram inventadas.
O bom da vida é que está sempre (re)começando. E sempre temos a chance de escolher ser feliz; com todos os gritos, as lágrimas, as frustrações, as decepções, porque são elas que nos fazem reconhecer o que é bom, o que nos torna felizes, o que nos faz bem.  - Oxalá fosse tão simples! – Alguém me diz. E não é. Assim como tomar decisões sobre uma vida inteira. Mas quando estivermos preparados, no ponto alto de uma quinta-feira às quatro da tarde, diremos: - Sim. –
E, com essa resposta, mesmo parecendo tão difícil, torna nossa vida muito mais fácil. Porque o começo pode ser duro, você pode se sentir embaixo, mas é aí que percebemos que não há outro lugar pra ir, senão acima.


“Sei perfeitamente que o destino me reserva bem duras provas. Mas, coragem! Com bom humor tudo se suporta... Com bom humor!”


- Rita Marcelino

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mova-se!

Você sente que precisa pular

Do penhasco, da calçada, da cama...

É necessário pensar

Nos outros, na vida, em mim...

Você tem vontade de beijar

O ar, as flores, um rosto.


Mas não faz.

Não pula.

Não pensa.

Não beija.


E reclama do ócio de estar

Na cama,

Pensando em mim,

Beijando um rosto


Invisível.


- Rita Marcelino