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domingo, 28 de novembro de 2010

Sim

E não é que ame de menos, chore de menos, grite de menos. É só a propensão de o infinito me acalmar. Nada mais. Quando se passa por momentos sofridos, não importa o tempo, alguma hora, tão boba como qualquer outra, a gente se sente leve, liberta, quem sabe até em paz. E não é por falta de carinho, de saudade, de afeto. Estes ainda transbordam cá dentro, mas começam a fazer efeito os minutos silenciosos olhando para nós mesmos, as pequenas decisões que não tínhamos coragem de tomar, e os sorrisos que nos esquecíamos de distribuir. E não é mentira dizer que a angústia uma hora vai bater, vai sufocar e por um segundo as lágrimas tenderão a descer, mas a diferença vai nascer nas memórias que não são tristes, não estão em preto e branco e não foram inventadas.
O bom da vida é que está sempre (re)começando. E sempre temos a chance de escolher ser feliz; com todos os gritos, as lágrimas, as frustrações, as decepções, porque são elas que nos fazem reconhecer o que é bom, o que nos torna felizes, o que nos faz bem.  - Oxalá fosse tão simples! – Alguém me diz. E não é. Assim como tomar decisões sobre uma vida inteira. Mas quando estivermos preparados, no ponto alto de uma quinta-feira às quatro da tarde, diremos: - Sim. –
E, com essa resposta, mesmo parecendo tão difícil, torna nossa vida muito mais fácil. Porque o começo pode ser duro, você pode se sentir embaixo, mas é aí que percebemos que não há outro lugar pra ir, senão acima.


“Sei perfeitamente que o destino me reserva bem duras provas. Mas, coragem! Com bom humor tudo se suporta... Com bom humor!”


- Rita Marcelino

domingo, 30 de maio de 2010

Em frente

Relacionamentos chegam a um ponto onde negar a si mesmo pode ser fatal. Até negar os próprios defeitos, não é isso? A busca por um laço perfeito é incansável, interminável. Há a ilusão de simetria onde existe amor. Seria uma variável constante contrastando com os sentimentos imperfeitamente iguais. Não faz sentido, nunca fez. Amar não basta, e custei a entender o que isso queria dizer. Amar não basta para ser entendido, para ser escutado, para ser tocado. Talvez, em sua infinita plenitude, o amor baste para ser amado, ou nem isso, não sei. Emails para a autora.
O que quero dizer, é que estar com alguém requer mais do que amor, requer mais do que carinho. É uma eterna tentativa de ser feliz e Deus sabe o quanto é difícil saber que o é. É a insaciável briga por espaço. Na rua ou nos lençóis. Todo mundo quer ser feliz, quer amar, quer ficar com alguém. Aqui vai uma verdade: pouquíssimos são os que estão realmente preparados pra isso. Mas a gente não liga, a gente quer, luta, dane-se, ficaremos preparados!
Então nós nos machucamos, machucamos alguém... É uma tarefa deveras difícil, se você quer realmente saber. Dói. Mas nos levantamos naquela segunda-feira cinzenta, criamos coragem ou a arrancamos de algum lugar e seguimos em frente. A hora mais completa do dia, a que te enche de orgulho, te engrandece é aquela que olhamos pro horizonte, com lágrimas nos olhos, mas coragem, e decidimos que, apesar de tudo, seguiremos em frente.

- Rita Marcelino

sábado, 8 de maio de 2010

Carta a um amigo.


Não somos presos a ninguém. No entanto, procuramos e corremos desesperadamente em busca dessas correntes. Buscamos algo ou alguém que satisfaça nosso desejo de par.
Alguém que fale a língua dos anjos e tenha o melhor e mais lindo sorriso do mundo. Aquele alguém capaz de te fazer chorar. Muitas, incontáveis vezes. Porém, que te faça rir ainda mais.
O amor não é algo fácil. Oxalá se fosse! Quebramo-nos, partimo-nos, em três, quatro, mil pedaços. E sempre esperamos juntá-los depois. Nem sempre se juntam, João. Lembras-te quando jurei ser sempre forte? Quando prometi a ti ser sempre dona de mim? Tenho medo de não poder cumprir tal promessa, meu amigo. Já não sinto o peso de minha própria existência. O Amor é malvado, João.
Nós nos entregamos. Corpo, alma, nada mais é nosso. Afogamo-nos num poço de incertezas e fragilidades e damos graças a Deus por poder fazê-lo. Temos a impressão que ouvimos um blues... de consolação.
O amor é feio, João, mas é tão bom...
"Não há ser humano algum sem covardias, só devemos enfrentá-las."
Quanta falta fazes tu aqui nos trópicos, caro amigo.

Saudosas lembranças,
Rita Marcelino.