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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Apaixonar-se

Eu aqui achando que ia ser fácil não me apaixonar por você. Achando que estava tudo bem em ser exatamente assim do jeito que sou, casca grossa, metida a durona, dona da situação.
Eu aqui achando que eu sou mais feliz assim, não deixando ninguém entrar. Que a inimiga do bom senso é a paixão, e que ela não se encaixa aqui. Achando que tudo se encaminharia do jeito mais simples.

E foi.

Foi simples demais não conseguir te tirar da cabeça. Simples demais querer te beijar uma, duas, mil vezes.
Eu achando que estava tudo bem comigo. E estava. Mas quer saber? Agora está muito melhor. Porque minha cabeça acha fácil o caminho do teu peito. E o coração sente tanta falta do seu abraço.
E eu sei que a paixão realmente é inimiga do bom senso, mas dane-se, já cansei. Cansei de sentir a sua falta, mesmo antes de te conhecer.

E eu aqui achando que ia ser fácil não me apaixonar por você
Quando, na verdade, eu estava só te esperando...


- Rita Marcelino

(This I promise you... every word I say is true. It's your choice, believe it or not...
but right now, there's nothing more true to me.)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sobre amar

João,

Acho bastante válido conseguir se doar. Não necessariamente a outrem, mas às estações, ao vento, ao sensível prazer de sentir. Sentir-se. Parte do todo de todo amor.
Amar é fácil, João. Basta sorrir, inspirar algumas imperceptíveis partículas doces, expirar as amargas, ou não. Não venho cá trazer a fórmula, mas humildemente dizer que é simples, meu amigo. É simples demais. É entregar-se com tal zelo ao profundo e entorpecente “quiçá” da vida. “Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.”
Mas, ah, meu amigo, antes fosse tão simples! O amor tem tantos labirintos, tantas idas e vindas, mas nunca se vai. Basta uma imagem, um flash aesthesis qualquer e já se enrola, e pula, e grita, e corre... Diabo de criança é esse amor! E se é hora de esquecer, não foge, não ajuda, não silencia. Criança malcriada é esse amor! Mas é bom, João, é bom...
E dói. Dói porque é simples demais se perder. Dói porque a cama está vazia e só há uma taça de vinho. Dói entre cada abismo silencioso no labirinto, transformando cada corredor em um infinito breu. Quando a solidão de uma risada ecoa pela casa estrondosamente; quando é preciso encher a cabeça para anular o coração; quando o café é só para um... Dói, João, esse amor dói.
Mas há dias coloridos, meu amigo, posso jurar que sim. Aqueles dias em que se amanhece cantante: “here comes the sun!”. O amor é bom. É sentir o perfume primaveril penetrar em cada poro; fantasiar o impossível; sentir arrepios na pele; sorrisos extasiados, bobos, incontroláveis. O amor é bom, sim. É poder se sentir capaz de tudo, quem sabe até de voar. Mas já se voa, João...
Quando se ama, a gente voa. Para algum lugar distante demais do normal, porém tão perto de nós mesmos. Não posso te explicar exatamente como chegar, João, mas te juro: é só amar.

- Rita Marcelino

quinta-feira, 3 de março de 2011

Querido João,


Ouvi rumores de seus confrontos interiores, resolvi pôr-me presente e lhe escrever algumas linhas. Existe o desejo de escrever à caneta ou lápis o curso do próprio destino. Não ter a chave mestra faz tudo ficar nebuloso, confuso, cinza. Posso dizer que abala nossa fortaleza interior não poder comandar a nós mesmos; fere o ego ser boneco de alguém ou algo, ainda não sei. Talvez falte esforço ou força para descobrir. A alma dança em compassos desajeitados à procura do prazer em ser o que se é; na viagem à felicidade, a entrega seria o ponto alto, mas como entregar-se ao desconhecido pode ser algo fácil? Não é, nunca foi. A dificuldade em conseguir o pote de ouro o transforma em algo muito mais real. É um árduo trabalho se encaixar no próprio eixo.
Embalada em cores de Almodóvar e sussurros marítimos, a praia te leva e mostra o quão improvável parece ser a ideia de comandar algo que não se compreende. Como um piloto que, por não entender o funcionamento do motor, não pode levar aos ares o avião. Não que tudo precise de completo entendimento, mas com muitas brechas e rachaduras há a inevitável dispersão de intenção. Alguns sentimentos se confundem quando se falta fé. Feito um travesti à margem da rua, travestido em trancosos temores, o amor mistura-se ao ódio. Música de redenção como entretenimento imaginário não traz o descanso para vencer o frio da noite. A sabedoria é peça invisível posta à prova. É duro demais tentar realmente pertencer a si mesmo.
Há maneiras de se equilibrar na corda bamba, fingir certa cordialidade com o inimaginável e tornar o turismo em seu âmago um relutante prazer. Não me pergunte como, não é como se tivesse todas as respostas, apenas mais perguntas e palpites. Minha cabeça tarda a funcionar com o coração. É uma pena, caro amigo, não estar perto o suficiente para elaborarmos uma tese eficiente sobre “o ser e seu destino.” Lembro com saudosas lembranças de sua hospitalidade e bom humor, tão costumeiro como esperado. Pergunto-me se não é mais um traço regional interiorano, pois sua cidade me provoca um mar de bons pensamentos. 
Ofereço de minha amizade apenas um vil amplexo, posto que, em nossa cultura, ele lhe há de confortar.

Com carinho,
Rita Marcelino

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Tudo faz lembrar

É complicado quando você precisa escapar dos pensamentos. Não é algo muito fácil, devo dizer; logo quando tudo faz lembrar...
A gente tenta transformar em coisas menos tristes, nos consolamos e tentamos acreditar que um dia perceberemos que foi melhor, que se for amor vai voltar, que se era paixão iria mesmo acabar, e que o final feliz ainda está por vir.
Talvez o erro seja ser romântica demais, tola demais; esperar beijos de novela, amores eternos, príncipes encantados e cavalos brancos, sem esquecer, claro, do castelo. O baque da vida real é grande demais para se colocar nos contos de fadas. Principalmente porque o príncipe não é um ogro, não é um sapo, não é burro ou baixinho. Apenas veio antes de estarmos preparadas e o contrário também vale. Ou ainda, sim, ele é perfeito, mas não descobriu te amar ainda e o futuro fica todo nebuloso. 
O coração sangra, a gente chora baixinho, chama os amigos, dá algumas risadas, mas quando vamos dormir, tudo ecoa na mente, porque pensamento é mesmo assim... e tudo faz lembrar.

- Rita Marcelino

sábado, 30 de outubro de 2010

A mãe e a filha

Eu e minha mãe fomos hoje pela manhã comprar as novas lentes dos meus óculos. Passamos na ótica, fomos no supermercado perto e almoçamos por lá.  Conversamos algumas besteiras, inventei de alfinetar seu jeito consumista de ser, e rimos juntas de algumas futilidades. Parece simples, normal, mas não é sempre que me toco em como cada momento desse é único. Enquanto meu estômago se contorce um pouco do medo de dirigir, quando entro no carro e dou a partida, o conforto parte da sensação de tê-la comigo. Não é mero clichê sentimental de mãe e filha, nunca fui muito ligada nisso; sempre me encontrei mais voltada às loucuras das minhas paixões coléricas. Mas hoje houve algo, alguma conjunção entre Urano e Júpiter que me fez sair do momento “não quero sair de casa tão cedo” para o “quero passar o dia todo andando pelas ruas com ela”.
Alguns finais de semana me pegam em cheio com toda a carência maternal que eu possa ter. Assistir tevê ao seu lado é melhor, fazer receitas mirabolantes com a sua supervisão é mais divertido, deitar ao seu lado na cama enquanto lê uma revista é mais aconchegante. E pensar que tem dias que seu jeito me irrita tanto! Hoje só quero um cafuné, que você me acompanhe até a costureira e diga que não gostei da roupa, que eu sou assim, que eu sou difícil de lidar, que eu sou chata com roupas e que só você mesmo para me aguentar. Quero só que você, ao sair da costureira, fale que a roupa estava mesmo feia, que vai comprar doces e besteiras para eu não ficar tão chateada com isso, que eu vou esquecer e que podia ser pior. Certos dias têm cara de vida inteira.
Às vezes, me passa pelos sentidos o quanto nós brigamos, o quanto nós implicamos uma com a outra, mas em quanto e como nós, no final, somos parecidas. Desentendemos-nos bastante, mas nos entendemos em outros tantos assuntos; pouco importa se é maquiagem, política ou vício por algum daqueles docinhos de chocolate com recheio de cereja. Alguns reflexos são mais verdadeiros.
 Costumam falar de “saudade do que nunca tive” numa alusão Marcusiniana das falsas necessidades que nos fazem ter. Aqui falo de saudades do que muito tive, porque, aí sim, tenho motivos de sobra pra me lambuzar em nostalgia pré meia idade. Mergulhar naquela época em que seu mundo volta-se à mamãe, aquele tempo em que Mãe é sinônimo de companhia constante. Aplausos para os que ainda sustentam tal feito, porém, para os como eu, inspire com calma estes breves momentos.
Aproveitar com a alma os instantes perto de nossa mãe é mais do que apenas estar ao seu lado. É entregar-se ao gosto de brincar, de rir, até mesmo de implicar, mas com o maior amor do mundo. Porque a gente sabe: são esses os momentos que ficam para sempre.

- Rita Marcelino

sábado, 28 de agosto de 2010

Ações

Há sempre alguém que te puxa pro lado contrário. De qualquer lado, de qualquer modo, sempre. Continue a conversa, dê mais um sorriso, mas não o leve em consideração.
É incrível a quantidade de chances e oportunidades que perdemos pelo medo que jogam sobre nós, pelo olhar malicioso e torto que lançam sobre nossas cabeças. Hoje eu resolvi falar isso. Botar pra fora: danem-se. E com o perdão da palavra, vou começar a tocar o foda-se. Se é que me entendem... Há sempre aquela(s) pessoa(s) que você realmente ouve, que absorve o que ela(s) tem a dizer, mesmo. Eu acho que, muitas vezes, não deveria. Ou melhor, até deveria, mas, falo sério, não tomar como certo e melhor. Eu sei, eu sei, é uma pessoa experiente ou mais velha ou que parece saber o que está falando, lhe jogando verdades incontestáveis. Não. Não “venda sua alma”. Se é que posso falar assim. I believe so.
Não se deixe jogar num quarto vazio, pintado com as melhores cores de outrem. Não seja embalado pra dormir em uma canção que não lhe diz nada. Não deixe uma vontade passar. Porque, meu amigo, quando, no fim, você perceber que o tempo passou e essas horas não voltam, aí está você, sentado na frente do computador, lamentando as curvas e atalhos que não tomou, ou o contrário. Eu acredito que há coisas que aprendemos no mistério. No mistério de escolher o invisível. E não é só porque sou jovem que posso correr o risco de cair de uma nuvem; talvez eu tenha 50 anos, ou 60, 70, o que me diz você se eu resolver pular do telhado e cair de ponta cabeça no céu? Bom, não importa, eu pretendo não ter medo.
Eu espero que você me deixe te explicar que, é muito melhor uma pessoa no mistério da mudança...
O que eu disser, o que eu fizer, nós não seremos os mesmos. 
Eu estou respirando, enfim, vou sair pela manhã fria e silenciosa, pulando muros, e o que você me diria se eu encontrasse (sozinha) o que eu sempre procurei?

- Rita Marcelino

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mal-estar

Não sei mais para quem fingir que isso dará certo. Ando tentando, tentando muito. Busco achar a vontade escondida no seu olhar, mas não encontro. Há uma fagulha de querer, mas corre imenso perigo de apagar. A qualquer instante...
Não é como se eu pudesse controlar. As formas não são mais as mesmas, o cheiro não é mais o mesmo, não sinto o mesmo gosto... Não é como se estivesse me completando. Não gosto de pensar que é uma espécie de desistência, mas é. Uma hora a gente cansa. Cansa de tentar viver em Wonderland ou se equilibrar em fios invisíveis. Chega uma hora que conseguimos ver que é só... perda de tempo. É triste, eu sei.
Dias se passaram enquanto empurrava esse mal-estar para debaixo do tapete, mas começou a fazer volume, remexer e grunhir. Preciso colocá-lo em seu devido lugar: fora.
Não pretendo mostrar que ficarei bem ou que não me incomodará, existem marcas boas no fundo de mim. Mas não nos enganemos: não vais virar quem eu quero que sejas. Não vais agir como quero que aja. Então, só por agora, saia do meu caminho.

- Rita Marcelino

domingo, 30 de maio de 2010

Em frente

Relacionamentos chegam a um ponto onde negar a si mesmo pode ser fatal. Até negar os próprios defeitos, não é isso? A busca por um laço perfeito é incansável, interminável. Há a ilusão de simetria onde existe amor. Seria uma variável constante contrastando com os sentimentos imperfeitamente iguais. Não faz sentido, nunca fez. Amar não basta, e custei a entender o que isso queria dizer. Amar não basta para ser entendido, para ser escutado, para ser tocado. Talvez, em sua infinita plenitude, o amor baste para ser amado, ou nem isso, não sei. Emails para a autora.
O que quero dizer, é que estar com alguém requer mais do que amor, requer mais do que carinho. É uma eterna tentativa de ser feliz e Deus sabe o quanto é difícil saber que o é. É a insaciável briga por espaço. Na rua ou nos lençóis. Todo mundo quer ser feliz, quer amar, quer ficar com alguém. Aqui vai uma verdade: pouquíssimos são os que estão realmente preparados pra isso. Mas a gente não liga, a gente quer, luta, dane-se, ficaremos preparados!
Então nós nos machucamos, machucamos alguém... É uma tarefa deveras difícil, se você quer realmente saber. Dói. Mas nos levantamos naquela segunda-feira cinzenta, criamos coragem ou a arrancamos de algum lugar e seguimos em frente. A hora mais completa do dia, a que te enche de orgulho, te engrandece é aquela que olhamos pro horizonte, com lágrimas nos olhos, mas coragem, e decidimos que, apesar de tudo, seguiremos em frente.

- Rita Marcelino

quarta-feira, 26 de maio de 2010

(F)

Um amor nunca morre, nunca se esquece, nunca. Transforma-se em carinho, em saudade...
Essas lembranças ficam para sempre, e espero que o espírito se eleve mesmo para um lugar melhor.
Fica em paz, amigo.


sábado, 8 de maio de 2010

Carta a um amigo.


Não somos presos a ninguém. No entanto, procuramos e corremos desesperadamente em busca dessas correntes. Buscamos algo ou alguém que satisfaça nosso desejo de par.
Alguém que fale a língua dos anjos e tenha o melhor e mais lindo sorriso do mundo. Aquele alguém capaz de te fazer chorar. Muitas, incontáveis vezes. Porém, que te faça rir ainda mais.
O amor não é algo fácil. Oxalá se fosse! Quebramo-nos, partimo-nos, em três, quatro, mil pedaços. E sempre esperamos juntá-los depois. Nem sempre se juntam, João. Lembras-te quando jurei ser sempre forte? Quando prometi a ti ser sempre dona de mim? Tenho medo de não poder cumprir tal promessa, meu amigo. Já não sinto o peso de minha própria existência. O Amor é malvado, João.
Nós nos entregamos. Corpo, alma, nada mais é nosso. Afogamo-nos num poço de incertezas e fragilidades e damos graças a Deus por poder fazê-lo. Temos a impressão que ouvimos um blues... de consolação.
O amor é feio, João, mas é tão bom...
"Não há ser humano algum sem covardias, só devemos enfrentá-las."
Quanta falta fazes tu aqui nos trópicos, caro amigo.

Saudosas lembranças,
Rita Marcelino.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mova-se!

Você sente que precisa pular

Do penhasco, da calçada, da cama...

É necessário pensar

Nos outros, na vida, em mim...

Você tem vontade de beijar

O ar, as flores, um rosto.


Mas não faz.

Não pula.

Não pensa.

Não beija.


E reclama do ócio de estar

Na cama,

Pensando em mim,

Beijando um rosto


Invisível.


- Rita Marcelino

sexta-feira, 23 de abril de 2010

É preciso

É preciso primeiro, não precisar de mim.

Ter um “quê” de mistério, de silêncio, introspecção.

Não ter meias palavras, mas que goste de eufemismos.

Que goste de um vinho, mas renda-se a cerveja, num fim de semana, dois, três...


É preciso, sobretudo, saber rir.

Deixar-me sem graça, mas não demais; fazer-me rir...

Deixar-se levar pelo vento, pelo clima, pelas estações.

Gostar de canções de guerra, de mar, de amor...


É preciso, com certeza, certo nível de caos.

Estraçalhar-me por dentro, rasgar-me, morder-me.

Várias vezes, sempre, muito...


- Rita Marcelino